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sexta-feira, 9 de junho de 2017

condenados pela probabilidade

e eu quero
que você me console
me conforte
quero que suspire por entre as nuvens
um sopro de alívio

talvez em delírio, por pouco
não confio


eu quero que

tente me prender a essas memórias
a esses
tormentos
-malditos,
      e por vezes violentos


quero que
me beije
me segure
me agarre
e tire meu ar
até eu não aguentar
até você se esgotar

eu quero fogo
eu quero paixão
eu quero sentir
aquele
 <m>seu

coração


eu quero evitar o inevitável
eu quero adiar o amanhã
que eu sei que vai chegar
e eu não vou
querer me explicar


"vamos tentar mais uma vez" você digita
eu largo o celular
e contraio minhas mãos na minha cabeça
desesperadamente
eu não aguento mais
eu não quero mais
lágrimas correm enfurecidas
sem rumo

perdidas


"e então vamos tentar mais uma vez"
é a resposta que sai de mim
é o melhor que consigo fazer

mas
você não sabia?
estamos destinados ao caos
que merda de entropia

por ora
encaixe suas mãos nas minhas
devagar
até o
irremediável
chegar

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