domingo, 31 de julho de 2016

tentativa de um texto de ficção/fantasia/o que raios é isso/coisa de 2 anos atrás que tava salvo aqui

Já era tarde e eu não sabia onde estava. As árvores da densa floresta tapavam o que quer que seja, um galho se quebrava ao meu lado, os corvos se lamentavam e as folhas se desprendiam de suas árvores numa tentativa desesperada de sobrevivência.
Então o vi. Os cabelos loiros brilhavam na escuridão da noite com se clamassem por atenção. Os olhos castanhos caçavam algo no breu, suas mãos pesadas, uma sobre a outra, cobriam um dourado medalhão, e sua respiração ofegante poderia ser escutada a metros.
O menino correu, mas correu muito. Como se fosse uma sombra, eu me pus a segui-lo. Conseguia ir muito mais rápido que ele, mas o acompanhei. Ele não conseguia me ver, estava concentrado demais em sua tarefa.

Dois quilômetros se passaram e o menino continuava a correr, até que parou perto de uma lápide. O menino puxou de dentro de sua camisa uma pequena flor branca, e a colocou delicadamente em cima da cinzenta construção. Multidões passavam e ninguém parecia notá-lo, como se ele não estivesse presente para elas.

E se pôs a correr novamente.

Dessa vez não por muito tempo, entrou em um beco
e então ele me avistou.

Os castanhos olhos, antes atentos a tudo, se mesclaram em confusão e curiosidade. Sua boca tentava falar algo que seu cérebro mandava, mas de lá nada saía. O menino então se aproximou, sussurrou algo incompreensível em meu ouvido, acariciou meus cabelos da mesma cor que os dele, encarou meus olhos verdes como se pudesse ler minha alma, fez um demorado sinal na minha testa e se afastou.
Continuou me olhando por um tempo, agora com um olhar menos agoniado com a necessidade de saber quem era a visitante, e mais familiar, como se fossemos amigos de longa data. Com um leve aceno de cabeça e um torto sorriso nos lábios, deu meia volta e continuou a correr.

Dessa vez, não o segui. Deixe que as sombras o levem.
Quem sabe o que o destino nos guarda.

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