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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ser o vento



Eu era feita de vento.

O vento é engraçado, todos sabem que ele existe, que ele está presente, sabem até seu nome. Mas ninguém o vê, quando não está ninguém pensa nele, quando aparece todos se agasalham e continuam sua própria vida.Sempre tem uns que prestam atenção no vento, gostam do seu som talvez, mas é só na ventania, logo enjoam, reclamam do frio ou só esquecem...

Sempre foi assim: a criança que fala, mas não é fofa como as outras; aquela que até se sabe o nome, mas nunca lembram de chamar pra brincar; que nunca fez nada errada, mas também nunca se destacou por nada de todo jeito

Isso meio que nasce com a gente: fui das melhores da classe, tentei ser bonita igual as outras meninas, até tentei ser A menina das maquiagens e moda, tentei até cantar, jogar, desenhar, caderno de caligrafia, mas eu sempre soube que, por mais que eu me esforce (todos e todos os dias) eu nunca tive aquele quê a mais, aquele brilho que algumas pessoas tem desde sempre

Ser vento me incomoda? Bastante
Ser vento traz a sensação de zero a esquerda, traz aquela sensação de que, por mais que você tente, nunca será boa o suficiente. E acredite, se o vento for mais forte e derrubar coisas, todos se lembraram disso e fecham as janelas.

Só que as vezes é bom ser vento: é que ele não tem gaiola, nada o prende, ele vem e vai, trazendo tempestade ou brisa fresca, tem poder de mudar direção e intensidade em fração de segundos. Agita a vida das pessoas em minutos, mas passa, se vai em busca de quem o queira e, às vezes, é tudo que alguém quer numa tarde quente de verão.

Eu sempre soube.

É, eu SOU feita de vento

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